Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10284/2246
Título: Corpos fechados e tesouros enterrados
Outros títulos: uma incursão ao mundo mítico do agreste pernambucano
Autor: Sales, Thiago de Oliveira
Orientador: Campelo, Álvaro
Data de Defesa: 2011
Editora: [s.n.]
Resumo: A partir da recolha de dois géneros de narrativas míticas peculiares ao Agreste e Sertão brasileiros, tentamos elaborar novos apontamentos teóricos e metodológicos acerca do conceito de mito e do trabalho etnográfico na Antropologia Cultural. Para tanto, utilizamos como locus privilegiado da pesquisa, a cidade de Panelas de Miranda, situada no Agreste pernambucano. As narrativas escolhidas são conhecidas como “histórias de botija” e “corpos fechado”. As primeiras consistem-se em histórias acerca dos nefastos vínculos espirituais das almas com suas posses terrenas. Sendo assim, por meio de mensagens oníricas, um sujeito escolhido enfrentará uma série de provações no intuito de desenterrar o tesouro. O segundo género de narrativas, referem-se a práticas iniciáticas que circulam em segredo e são transmitidas de mãe para filho (ou pai para filha) sob a estética de “orações” e visam à protecção dos sujeitos contra as mais diversas vicissitudes mundanas. Com efeito, a maior parte das rezas incidem na preocupação de se transformar o corpo em algo intangível e, ou, inquebrantável. Porém e, ainda assim, é possível encontrar encantamentos específicos para outros géneros de actos extraordinários, como transmutar-se em animal ou se tornar invisível. Entretanto, para além do registo desta memória colectiva acerca das narrativas, nosso objectivo maior era identificar aspectos da tradição antropológica que impossibilitam a compreensão do conceito de mito numa “esfera” mais ampla – buscar uma desconstrução metafísica do mesmo. Isto nos levou a construção do conceito Homo quaerens – condição existencial presente por excelência em toda narrativa mítica. Quanto aos aspectos metodológicos, questionamos até que ponto os ditames dos trabalhos etnográficos pós-modernos não se esqueceram de salientar a importância de uma exposição maior dos próprios posicionamentos epistemológicos e teóricos do pesquisador na escrita e não só na intervenção no terreno. Para isto, é de suma importância esmiuçar aspectos das trajectórias dos mesmos, construindo o que Edmundo Leach chamou “o meu tipo de antropologia”; ou, o que a partir dos trabalhos de Álvaro Campelo chamamos de “uma antropologia do outro como si mesmo”. Considering two genres of mythical narratives from Brazilian‟s Agreste and Sertão, we try to develop new theoretical and methodological approaches in relation to the myth concept and the ethnography work. As a result, Panelas de Miranda was selected to serve as the locus of the study. The narratives are known as “histórias de botija” and “corpos fechado” (closed body). The first consists of narratives relating corrupted spiritual bonds of souls with their earthly possessions. Therefore, by the dream messages, a chose person will face a series of challenges to unearth the treasure and free the damned soul. The second refers to initial practices taught from mother to child which aims to provide the person with superhuman conditions. This secret knowledge made one immune to attack designed to penetrate the body and others. Broadly, it is a magic prayer, known to few people of the community, to become impervious to injury and, in some cases, make the body indestructible. However, it is possible to find specific and special spells to make the body invisible or to turn into animals, improving them with shapeshifters conditions. However, despite of our interest in collective memory preservation, our major goal was to identify aspects of the anthropological tradition which conceptualizes the myth in limited terms, in suggesting the importance of a metaphysical deconstruction of this concept. This situation led us to create a concept called ―Homo quaerens‖ – which refers to an existential condition present in all mythical narrative. Regarding methodological aspects, we question the extent to which the rules of postmodern ethnography have forgotten the importance of exposing the epistemological and theoretical position of the researcher in writing and not only in the fieldwork intervention. Therefore, it is specially important to detail some aspects of their careers, making what Edmund Leach called “my kind of anthropology” or, what Álvaro Campelo‟s work makes us call “anthropology of the other like itself”.
Descrição: Tese apresentada à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Doutor em Ciências Sociais.
URI: http://hdl.handle.net/10284/2246
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