Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10284/1754
Título: Abordagens do Campo na Literatura Portuguesa no Século XIX
Autor: Porto, Maria Inês Falcão
Orientador: Reis, Pedro
Data de Defesa: 2010
Editora: [s.n.]
Resumo: Este estudo pretende ser uma reflexão em torno do romance rústico, um caminho novo surgido na literatura nos fins do século XIX, mais precisamente, na segunda metade dos anos oitenta, que tinha a pretensão de moralizar, edificar e educar, envolvendo, de modo especial, a vida do campo, na observação exacta do seu modus vivendi, quer a nível social, quer a nível familiar, através da observação exacta do meio que considera parte integrante das personagens, uma vez que a interacção de ambientes e caracteres é indissociável. Neste estudo, tentamos reflectir e tirar ilações que nos pudessem ajudar a compreender o minhoto, como reflexo da paisagem viridente que o cerca, ou o alentejano enquadrado nas planícies monótonas e ardentes, imbuídas da dormente influência árabe. A sucessão de cenários – Minho, Alto Douro, Alentejo – simultaneamente reais e imaginários, cria ambientes que podem ou não revelar as particularidades de alguns dos suportes existenciais do povo, já que a paisagem que não é uma coisa inanimada, mas com alma, actua constantemente com amor ou dor, sobre as ideias ou sentimentos do Homem. Contudo, este “retrato” do mundo rural que começa no Minho e se estende até ao Alentejo, dá-nos a visão ampla de um país que num espaço tão reduzido, oferece numa enorme diversidade de experiências, na identidade simples e sem pose de um povo que ama e trabalha a terra, reza e baila nas romarias, namora junto à fonte e sendo capaz das maiores heroicidades, pode também matar ou trair. Se as representações espaciais das organizações humanas cabem num mapa dividido com linhas e cores, a cartografia das memórias e vivências campestres, retrata-se nas obras do romance rústico. Em suma, esta reflexão procura contribuir para a constatação de que uma comunidade humana, organizada dentro de um espaço geográfico delimitado, é construída por uma sucessão de ideias e sonhos realizados e por realizar que se solidificam numa língua, em paisagens, sítios e gentes, daí que o mundo rural seja uma simbiose de Natureza, Sentimentos, Experiências e Ideias. This study aims to be a reflection on the rural romance, which was a new path that emerged on literature in the late nineteenth century, in the second half of the 1880’s. s. It intended to moralize, to edify and to educate, involving above all, an exact observation of country’s life modus vivendi either socially or at household level surroundings which is considered to be a component of people and environments inextricably linked. We try to follow the authors included in this study rigorously, trying to consider and taking hints how to understand the Minho man, who reflects the green landscape that surrounds him, as well as the Alentejo man, who lives in the hot plains, imbued of an Arab touch. This sequence of real or imaginary sceneries – Minho, Alto Douro, Alentejo – may reveal the singularities of one people’s existencial support of living. The landscape is not lifeless, it has its own soul and interacts constantly either with love or with pain on man feelings or ideas. However, this "portrait" of the countryside that begins in Minho and goes to Alentejo, gives us a wide sight of a country. It is a small geographic area, but it offers us an enormous variety of experiences, whether in its identity, warmth and modest way of living. People love and work the land, pray and dance in festivals and flirt by the fountain. They can do the most heroic acts. On the other hand, they can also kill or betray as well. If the territorial areas of human organizations are contained in a map divided by lines and colours, the memory map drawing and countryside experiences is documented in the rural romance writtings In short, this reflection seeks to contribute to the perception that a human organized community in a geographic restricted area is built by a chain of ideas and dreams only the most of times based on the language, landscapes, places and people. So, a country is a symbiosis of Nature, Feelings, Experiences and Ideas. Cette étude vise à être une réflexion sur le roman rustique, une nouvelle voie qui a émergé dans la littérature de la fin du XIXe siècle, plus précisément, dans la seconde moitié des années quatre-vingt, qui avait pour but de moraliser, d'édifier et d'élever, en impliquant, en particulier la vie de la campagne par l'observation exacte de leur modus vivendi, soit au niveau social, soit au niveau des foyers, en observant la façon exacte qu'il considère comme une partie intégrante des personnages, puisque l'interaction des personnages et des environnements est inextricablement liée. Nous avons essayé de suivre les auteurs inclus dans cette étude, en réfléchissant et en déduisant des leçons qui pourraient nous aider à comprendre le Minho, comme réflexe du paysage verdoyant qui l'entoure, et l’Alentejo encadré dans les plaines monotones et ardentes, imprégnées de la dormeuse influence arabe. Cette succession de scénarios – Minho, Alto Douro, Alentejo – simultanément réaux et imaginaires, crée des «ambiances» qui peuvent révéler ou pas les particularités de quelques-uns des supports existentiels du peuple, puisque le paysage n'est pas une chose inanimée, mais avec une âme, qui agit toujours amoureusement ou douloureusement sur les idées ou les sentiments de l'Homme. Cependant, ce «portrait» de la campagne qui commence au Minho et s’étend jusqu’à l'Alentejo, nous donne une vision d'ensemble d’un pays que dans un espace si petit, offre une grande diversité d'expériences, par l’identité et la façon simple et sans artifice d’un peuple qui aime et travaille la terre, qui prie et danse dans les pèlerinages, qui flirte près de la fontaine et qui, étant capable des plus grands gestes d’héroïsme, peut aussi tuer ou trahir. Si les représentations spatiales des organisations humaines peuvent tenir place dans une carte divisée par des lignes et couleurs, la cartographie des mémoires et des expériences rurales est présente dans les écrits du roman rustique. Enfin, cette réflexion cherche à démontrer qu’une communauté humaine, organisée dans un espace géographique donné, est construite par une succession d'idées et de rêves, accomplis ou non, et qui se solidifie dans une langue, en paysages, endroits et personnes. Donc, la campagne est une symbiose de Nature, de Sentiments, d’Expériences et d’Idées.
Descrição: Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Literatura, especialização em Literaturas de Língua Portuguesa.
URI: http://hdl.handle.net/10284/1754
Aparece nas colecções:FCHS (DCEC) - Dissertações de Mestrado

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