Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10284/1363
Título: A esperança dos profissionais de saúde de uma unidade oncológica
Outros títulos: contributos para a prática profissional
Autor: Barros, Marisa Isabel Viana
Orientador: Fonte, Carla
Meneses, Rute
Data de Defesa: 2009
Editora: [s.n.]
Resumo: A literatura indica que as virtudes humanas constituem um investimento de excelência para o desenvolvimento do funcionamento humano positivo, tornando-se uma forma inovadora e complementar de delimitar a vivência de emoções negativas, ao assumirem-se como indicadores de bem-estar. Sendo a esperança uma dessas virtudes, assume-se como uma característica da personalidade humana necessária para uma vivência saudável e digna, uma vez que tem um impacto positivo no bem-estar físico e psicológico do ser humano. De facto, vários estudos sustentam que a esperança é uma característica da personalidade humana positiva com valor significativo na vida do ser humano. Esta virtude constitui-se como uma força inerente ao ser humano, à qual este último pode recorrer em todas as suas experiências e vivências, embora se verifique que o recurso a esta virtude aconteça com maior intensidade perante a adversidade. A prática profissional na área da saúde pode constituir-se como uma ameaça ao bemestar dos profissionais de saúde que lidam com doentes debilitados em sofrimento. Assim, trabalhar em Oncologia é um acontecimento de vida difícil e potencialmente gerador de stress e de sentimentos negativos, que mobilizam o profissional de saúde, ameaçando o seu bem-estar físico e psicológico. Face a estas condições, a esperança é reconhecida neste domínio, sendo identificada como uma força valorizada de promoção de uma qualidade de vida a que o ser humano aspira. Esta realidade fundamenta este estudo exploratório, inserido numa investigação com recurso a metodologias compósitas (quantitativas e qualitativas). No estudo de natureza quantitativa procurou-se: avaliar a esperança dos profissionais de saúde que trabalham em Oncologia e analisar quais as variáveis sócio-demográficas associadas a esta dimensão, uma vez que este contexto acarreta um desgaste adicional significativo nesta população e é passível de ser indutor de níveis de esperança baixos. Sessenta e três profissionais de saúde de uma unidade oncológica de um hospital público do litoral norte (17 médicos e 46 enfermeiros) completaram um questionário sócio-demográfico e a Escala de Esperança. Verificou-se que a amostra apresenta índices de esperança entre 48 e 85 valores (M=67,62; DP=7,50), sendo que estes valores não se encontram associados às características sócio-demográficas dos participantes. Estes resultados permitem inferir que, apesar destes profissionais serem confrontados permanentemente com situações difíceis, mantêm a esperança, o que anuncia ser uma excelência pelos efeitos positivos que esta pode exercer na sua vida pessoal e profissional, de acordo com resultados de estudos realizados previamente junto de outras populações. No estudo de natureza qualitativa procurou-se compreender as experiências e vivências associadas à prática laboral dos profissionais de saúde; analisar o impacto físico e psicológico que estas experiências e vivências causam no seu bem-estar; e perceber a que nível é que a esperança dos profissionais de saúde contribui para o exercício da sua profissão e para o seu bem-estar no contexto profissional. Dez profissionais de saúde (1 médico e 9 enfermeiros), seleccionados de modo intencional da amostra do estudo anteriormente apresentado, responderam a uma entrevista semiestruturada elaborada para o efeito. As narrativas e significados atribuídos pelos profissionais de saúde à prática laboral reflectem que a experiência de trabalhar em Oncologia pode se transformar numa ameaça ao bem-estar destes, sobretudo quando os profissionais de saúde não possuem estratégias de coping para lidarem com a adversidade, desde o confronto com o sofrimento alheio à perda. Relativamente ao papel que a esperança tem em si próprios e no exercício da profissão, as narrativas e significados dos profissionais de saúde permitiram constatar que estes identificam a esperança como protectora e promotora de saúde, identificando-a como uma força valorizada de promoção de qualidade de vida. Conclui-se, assim, que a esperança testemunha e contribui para o florescimento e funcionamento saudável dos seres humanos a nível profissional e também pessoal, nomeadamente daqueles que estão sujeitos a situações de vida penosas, tal como os profissionais de saúde em estudo. The literature shows that human virtues are an investment of excellence for the development of positive human functioning; they are an innovative and complementary way to limit the experience of negative emotions, being indicators of well-being. Being hope one of those virtues, it is assumed as a characteristic of the human personality necessary for a healthy and dignified life, since it has a positive impact on physical and psychological well-being. Indeed, several studies support that hope is a positive feature of the human personality with a significant value on the lives of human beings. This virtue is an intrinsic power of the human being; he may use it in all of his experiences, though it is more frequently used in face of adversity. Health care can be a threat to the well-being of health care professionals who deal with the suffering of debilitated patients. Thus, working in Oncology is a difficult and potentially stress full life event. Given these circumstances, hope is recognized as a valued force for the promotion of quality of life. This is the basis for this exploratory study, encompassing quantitative and qualitative methodologies. The quantitative study aimed to evaluate the hope of health care professionals working in Oncology and to analyse the relationship between hope and several, since this context is likely to induce low levels of hope. Sixty-three health care professionals from an Oncology unit of a public hospital (17 doctors and 46 nurses) completed a socio-demographic questionnaire and the Hope Scale. Hopes scores ranged from 48 to 85 (M=67.62, SD=7.50) and were not related to the socio-demographic characteristics of the participants. These results suggest that, even though these professionals usually face difficult situations, they keep their hope. This is very positive if one considers the positive effects it may have in their personal and professional life. The qualitative study aimed to understand the work experiences of health care professionals, to analyse the physical and psychological impact these experiences have in their well-being, and to understand to that level the hope of health care professionals contributes to their profession and well-being. Ten health care professionals (1 doctor and 9 nurses; intentional sample) answered to a semi-structured interview developed for the study. The narratives and meanings attributed by health care professionals to their work suggest that the experience of working in Oncology can become a threat to their well-being, especially when they do not have coping strategies to deal with adversity. Regarding the role hope has in themselves and in the profession, it was found that they identify hope as promoter and protector of health, identifying it as a valued force for promoting quality of life. In conclusion, hope contributes to the growth and healthy functioning of human beings at professional and personnel levels, namely of those who experience to painful situations, as the health care professionals studied. La littérature nous dit que les vertus humaines sont un excellent investissement pour le développement du fonctionnement humain positif, ce qui en fait un aspect innovant et complémentaire de délimiter l'expérience de vivre des émotions négatives, devant être interpréter comme un indicateur de bien-être. Comme l’espérance est une de ces vertus, elle s’assume comme une caractéristique de la personnalité humaine, nécessaire pour une vie saine et digne, car elle détient un impact positif sur le bien-être physique et psychologique des êtres humains. En effet, plusieurs études font valoir que l’espérance est une caractéristique positive de la personnalité humaine, avec une valeur significative sur la vie des êtres humains. Cette vertu se constitue comme un pouvoir inhérent à l’être humain, qui peut être utilisé en toutes leurs expériences, mais apparemment, il semble que l’utilisation de cette vertu parvient durant les moments remplis d’adversité. La pratique professionnelle en matière de santé peut offrir une menace sur le bienêtre des professionnels de la santé, qui apportent des soins à des patients affaiblis par la douleur. Ainsi, travailler en Oncologie est un événement de vie rude et potentiellement développeur de stress et de sentiments négatifs, qui mobilisent les professionnels de la santé, mettant en péril leur bien-être physique et psychologique. Dans ces conditions, l’espérance est reconnue dans ce domaine et est identifiée comme une force pour la promotion d’une meilleure qualité de vie que l’être humain désire. Cette réalité a fondé cette étude exploratoire, qui est intégrée dans une conception plus globale de recherche en utilisant des méthodes composées (quantitatifs et qualitatifs). L’étude de nature quantitative visait évaluer l’espérance des professionnels de la santé qui travaillent en Oncologie et analyser les variables sociodémographiques, qui se associent à cette dimension, puisque ce cadre est passible d’une usure supplémentaire importante dans cette population et est susceptible d’être inducteur de faible niveau d’espérance. Soixante-trois professionnels de la santé qui travaillent dans une unité d’Oncologie d’un hôpital public (17 médecins et 46 infirmiers) ont répondu à un questionnaire sociodémographique et à L’Escale d’Espérance. On a constaté que l’échantillon détient des indices d’espérance entre 48 et 85 valeurs (M = 67,62 ; Écart type = 7,50) et que les valeurs obtenues ne se associent pas aux caractéristiques sociodémographiques des participants. Ces résultats permettent conclure que, en dépit de ces professionnels de la santé être constamment confrontés à des situations délicates, maintiennent l’espérance, ce qui annonce que cette vertu é une excellence, qui exerce des effets positifs sur leur vie personnelle et professionnelle, selon les résultats d’études réalisées antérieurement avec d’autre population. L’étude de nature qualitative visait comprendre les expériences de travail liées à la pratique de soins des professionnels de la santé; analyser les effets physiques et psychologiques que ces expériences causent sur leur bien-être ; et comprendre a que niveau l’espérance des professionnels de la santé contribue à l’exercice de leur profession et de leur bien-être. Dix professionnels de la santé (1 médecin et 9 infirmiers), sélectionnés de manière intentionnelle de l’échantillon de l’étude présentée antérieurement, ont répondu à une interview semi-structurée, élaborée pour cet effet. Les récits et les significations attribuées par les professionnels de la santé sur la pratique professionnelle reflètent que l’expérience de travailler en Oncologie peut devenir une menace pour le bien-être de ceux-ci, surtout quand les professionnels de la santé n’ont pas de stratégies d’adaptation pour faire face à l’adversité, dès la confrontation avec la souffrance d’autrui à la perte. En ce qui concerne le rôle que l’espérance a en euxmêmes et sur l’exercice de la profession, à partir des récits et des significations attribuées par les professionnels de la santé, on a constaté que l’espérance est identifiée comme un promoteur et protecteur de santé et est reconnue comme une force valorisée de promotion de la qualité de vie. Donc, on conclue que l’espérance témoigne et contribue à la croissance et au bon fonctionnement de l’être humain à un niveau personnel et professionnel, en particulier pour ceux qui sont soumis à des situations désagréables de vie comme les professionnels de la santé en étude.
Descrição: Dissertação apresentada à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Mestre em Psicologia, especialização em Psicologia Clínica e da Saúde
URI: http://hdl.handle.net/10284/1363
Aparece nas colecções:FCHS (DCPC) - Dissertações de Mestrado

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